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O IMPÉRIO DO AGRONEGÓCIO

O agronegócio brasileiro aposta em tecnologia para crescer de forma sustentável

Ana Lívia Menezes 

O futuro do agronegócio depende de práticas que conciliem crescimento econômico com sustentabilidade ambiental. De acordo com dados da ONU para a alimentação e a agricultura, a produção de alimentos precisa crescer cerca de 70% até 2050 para garantir a segurança alimentar mundial, sem comprometer a saúde do planeta. Segundo as Projeções da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD/FAO), aproximadamente 90% desse crescimento será alcançado por meio do aumento da produtividade, enquanto apenas 7% virá da expansão de áreas agrícolas.

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Com um planejamento estratégico que considera fatores como clima, tipo de solo e disponibilidade de água, os produtores brasileiros conseguem aumentar sua produtividade e otimizar o uso dos recursos naturais. Walder Murilo Alves Pereira, engenheiro-agrônomo formado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e docente no Unasp-EC, destaca as práticas sustentáveis adotadas no setor:

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  • Conservação do solo - técnicas para evitar a erosão e melhorar a fertilidade natural;

  • Captação de água - métodos para captar e armazenar a água da chuva;

  • Controle biológico - uso de organismos naturais para combater pragas sem prejudicar o solo;

  • Rotação de culturas - alternância de cultivos para manter os nutrientes do solo;

  • Sistemas agroflorestais - produção de alimentos em harmonia com áreas de floresta.

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“O agro muitas vezes é criticado por destruir o meio ambiente, mas não é bem assim. O Brasil é um dos países que mais preservam”, afirma Walder Murilo Alves Pereira. Diferente do que ocorre em alguns países da Europa e nos Estados Unidos, no Brasil as matas ciliares, áreas de vegetação ao redor dos rios, são preservadas. Desde 2012, com o Código Florestal, o país fortaleceu as práticas de conservação ambiental, e o setor agropecuário tem adotado várias delas, explica o professor. O setor vem implementando práticas sustentáveis, mas que devem ser ampliadas. 

 

 

​A soja em grão é o carro-chefe da produção agropecuária brasileira, com faturamento de R$ 368,34 bilhões (CNA). O Brasil, segundo a Organização Mundial do Comércio (2021), é o 4º maior exportador de produtos agrícolas. Conforme as informações do banco BTG Pactual, o nosso país é atualmente o maior exportador mundial de soja (56% das exportações totais), milho (31%), café (27%), açúcar (44%).

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Segundo a Embrapa, Commodities são produtos primários que possuem baixo grau de industrialização e são comercializados em grandes quantidades no mercado global, com pouca ou nenhuma diferenciação entre eles. É o caso dos grãos como soja, milho, trigo, além de café, açúcar, petróleo, gás natural e metais como ouro e prata. Esses produtos têm preços regulados pela oferta e demanda no mercado internacional. â€‹

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Confira os principais produtos cultivados e produzidos no território brasileiro, segundo o IBGE.

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O poder do agronegócio na economia 

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"O Brasil é o celeiro do mundo", afirma o engenheiro agrônomo, destacando a vasta extensão territorial e a capacidade produtiva do campo brasileiro. O agronegócio representa 23% do PIB e está presente em nosso cotidiano, desde os alimentos que consumimos até as roupas que usamos. 

Segundo o professor, o agronegócio movimenta uma complexa cadeia de indústrias e serviços, que vai muito além das plantações e da criação de gado. Trata-se de uma engrenagem que envolve pecuária, processamento de alimentos, insumos, maquinário e tecnologia. Produtos como biodiesel e óleo de soja são resultados desse setor.

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Além disso, o agronegócio é responsável por empregar 27% da população ocupada no Brasil, de acordo com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP). Esse impacto é evidente nas cidades menores. "O interior de São Paulo, por exemplo, é uma referência na produção de frutas cítricas, além de se destacar na produção de soja e cana-de-açúcar", explica o professor.

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Como conciliar crescimento e sustentabilidade?

Um dos gargalos enfrentados pelo setor é produzir mais sem esgotar os recursos naturais. A chave para resolver esse problema está na tecnologia. Inovações como pesquisas avançadas, novos produtos e softwares estão transformando o campo, com destaque para a agricultura digital, gestão de processos via software, operações de campo mais precisas e monitoramento eficaz de pragas. O foco está no investimento em tecnologias que permitam o uso inteligente e sustentável dos recursos, como a terra e a água.

 

A startup mineira iCrop apresenta uma solução inovadora para a racionalização da irrigação. O sistema se adapta à realidade do produtor, permitindo o uso 

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Fonte: Freepik

​mínimo de água e energia para alcançar a maior energia para alcançar a maior produtividade possível. O objetivo é ‘’gerir os recursos hídricos e energéticos com tecnologia e conhecimento, garantindo que o produtor irrigue de forma precisa, evitando excessos e a alta eficiência na aplicação de água’’, explica Daniel Ávila, diretor comercial da iCrop, empresa de irrigação em Uberlândia, Minas Gerais.

Para quem trabalha com a terra, o clima seco pode atrapalhar a produção. A irrigação surge como uma solução, complementando as chuvas e garantindo uma colheita constante.‘’Com a irrigação o produtor rural consegue verticalizar a produção, produzindo de duas a três safras por ano na mesma quantidade de terras.’’ explica Daniel.

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Isso significa que o produtor não precisa aumentar a área plantada, mas sim aproveitar melhor a área já cultivada, produzindo mais safras por ano. ‘’Hoje o Brasil possui 8,5 milhões de hectares irrigados, e está entre os dez maiores do mundo, com muito potencial de expansão podendo chegar em 3° lugar no mundo com 30 milhões de hectares irrigados.’’, completa o diretor. Se por um lado a irrigação garante produtividade. Por outro lado, o uso da irrigação levanta preocupação sobre a gestão dos recursos hídricos. Segundo o Relatório da Conjuntura de Recursos Hídricos da ANA, a agricultura é responsável por quase 50% do uso da água no Brasil. A água é um dos recursos mais valiosos do planeta, e o uso de forma inadequada pode inviabilizar o crescimento e a segurança 

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Irrigação no campo / Fonte: Instagram da iCrop

alimentar. "O setor está investindo pesado em tecnologias de ponta para produzir mais, melhor e de forma sustentável", afirma o professor Walder Murilo Alves Pereira. Para ele, as inovações no agronegócio não apenas aumentam a eficiência, mas também transformam a dinâmica do campo, reduzindo a dependência da mão de obra e impulsionando os lucros. O agronegócio brasileiro já é uma potência global, mas o seu futuro depende da capacidade de inovar sem ultrapassar os limites da natureza.

Equipe da iCrop em campo / Fonte: Instagram da iCrop

Ana Livia

Durante nossa visita à horta da Dona Aleida, tivemos a oportunidade de conhecer de perto o dia a dia de uma família que transforma a terra em seu principal sustento.

AGRICULTURA FAMILIAR

Gabrieli Ciseski

Em meio a discussões sobre a produção de alimentos e o papel do Brasil no cenário internacional, o campo brasileiro revela as perspectivas de seus trabalhadores: com 65 anos, Luiz Guerra é assentado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Limeira, interior de São Paulo. Do outro lado, Airton Gullich, com 43 anos, é proprietário de uma empresa no ramo do agronegócio há cerca de 10 anos na região oeste do Paraná. Ambos enfrentam desafios e compartilham suas visões para o futuro do campo.

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Vozes da Terra: O que é um alimento de qualidade para você?

 

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Vozes da Terra: Quais são os maiores desafios que os trabalhadores do campo enfrentam hoje?

 

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Vozes da Terra: Como você enxerga a relação entre desenvolvimento agrícola e a reforma agrária? Existe um caminho para ambos crescerem juntos?

 

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Vozes da Terra: Qual é o papel do Brasil na produção de alimentos para o mercado interno e externo nos próximos anos?

 

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O debate promovido pelo Vozes da Terra busca trazer à tona as diferentes perspectivas de quem produz no Brasil. De um lado, Luiz defende a agricultura familiar e a autossuficiência; do outro, Airton valoriza a exportação e vê um futuro promissor para o agronegócio. Os dois lados se expressaram, as respostas foram dadas. E você? O que vai pensar agora quando seu alimento estiver na mesa?

Luiz Guerra: “Alimento bom é o sem agrotóxicos: orgânicos, naturais, nada de enlatados, conservados ou defumados.”

Airton Gullich: “Um alimento de qualidade tem o mínimo de defensivos agrícolas possível, mas que garanta a produtividade.”

Luiz Guerra: “Plantar é caro, e vender o que plantamos é ainda mais complicado. As políticas públicas deixam a desejar. Vivo no modo autossustentável.”

Airton Gullich: “A falta de mão de obra é um grande desafio. O trabalho no campo exige muito esforço físico, e o clima, claro, é sempre um fator imprevisível.”

Luiz Guerra: “A reforma agrária praticamente não existe, e a agrícola deixa muito a desejar. Não vejo um caminho claro para que os dois avancem juntos.”

Airton Gullich: “Eu acredito que sim, mas para isso precisamos de mais incentivos municipais que realmente apoiem quem quer trabalhar no campo.”

Luiz Guerra: “No mercado interno, os pequenos produtores ficam em desvantagem. E no externo, os melhores produtos são exportados, enquanto ficamos com as sobras.”

Airton Gullich: “Vejo um futuro promissor. O Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. No mercado das hortaliças, a busca por alimentos saudáveis e de qualidade vai continuar crescendo.”

Fonte: Leonardo ai.

Fernanda Victória

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POR DENTRO DA ALFACITRUS: O CAMINHO DA LARANJA ATÉ CHEGAR À SUA MESA

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A Alfacitrus nasceu de um sonho familiar que atravessa gerações. Há mais de 50 anos, a família começou sua história no ramo da agricultura com um simples barracão de laranjas, onde produziam e levavam os frutos para vender no Ceasa de Campinas.

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Ao chegarem, as frutas passam por uma triagem inicial, realizada manualmente. Nesse processo, são separadas aquelas com cascas danificadas ou impróprias para o consumo, garantindo que apenas os melhores frutos avancem para as etapas seguintes.

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A máquina realiza a triagem das frutas, separando as frutas que serão destinadas para as principais varejistas do país ou para a  produção de sucos.

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Depois, as frutas seguem para o processo de embalagem, antes de serem encaminhadas para o comércio, prontas para chegar às mãos dos consumidores

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No início, a Alfacitrus atuava regionalmente, distribuindo no Ceasa. Em 2013, a empresa passou a fornecer para o Carrefour, iniciando uma marca própria com a rede no ano seguinte.

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Nas fazendas da Alfacitrus, laranjas, tangerinas e limões são cultivados e colhidos antes de serem enviados para a unidade de processamento em Engenheiro Coelho.

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Depois da seleção, começa a fase de limpeza, que é feita em duas etapas. A primeira é a sanitização, onde as frutas são submetidas a uma solução de água sanitária. Na segunda etapa, elas passam por uma máquina equipada com sabão e esfregões, que removem qualquer resquício de terra ou impurezas da superfície das frutas.

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No computador, é monitorado o tamanho ideal, a forma e o peso das frutas.

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A empresa utiliza embalagens próprias para cada cliente. As frutas enviadas para redes como Carrefour e Oba têm os logos dessas empresas. Também possuem embalagens com personagens da Turma da Mônica.

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A AlfaCitrus está entre os principais produtores e distribuidores de laranjas e tangerinas no Brasil, com distribuição para todas as regiões do país.

Vozes da Terra

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